Loba de Cristal - conto por Val Felix

Olá pessoal, tudo bem? Espero que sim... 😷

Alguns de vocês devem saber/supor que sempre gostei de ler e escrever muito. No início dos anos 2000, eu já blogava em outros lugares... 

Tenho milhões de ideias, porém, não muita coragem de pô-las em prática... kkkkk ~crying

Enfim, estava olhando arquivos antigos e encontrei este conto que fiz quando tive uma "decepção amorosa". Também conhecido como um pé na bunda hahah

Chorei, chorei, mas agora não dói, não dói...





Segue o texto:

Loba de Cristal



Há um vulto escondido no fundo de uma gruta no meio do monte mais alto da floresta mais chuvosa e fria. A chuva não tem vontade de parar, esconde seus rastros como um favor. O frio a obriga a se manter enrolada em si mesma para aplacar a dor constante no peito. Uma dor vazia. Apenas a dor do vazio.
Ela tem vontade de se manter assim até que a vida decida deixar sua alma livre. Está cansada de fugir. Cansada de sair do esconderijo.
Sabe que como loba tem de se mostrar forte, corajosa, independente, audaz. Com sua imagem afasta quem pode feri-la. Porém sua imagem atrai olhares gananciosos, interessados neste exemplar raro de pedra-animal. Uma pedra facilmente quebrável devido às rachaduras anteriores.
Alguém prometeu proteção. E um meio de preencher o vazio interior. Vontade que não se cumpriu.
Por não saber manusear, deixou-a cair. Vendo que não parecia perfeita como antes a afastou. Outros a encontraram, tentaram juntar os pedaços porcamente. Mas não é mais como antes.
Ela recolheu seus pedaços e fugiu assustada. No meio da fuga outro lhe ofereceu abrigo. Este queria alguém que o ajudasse a se remontar e não quem precisasse ser reconstruído.
O sonho é de correr apenas pelo prazer de correr. Se afastar de tudo o que é conhecido. Queria ter asas, para fugir o mais depressa possível. Apenas fugir é o que conhece. O resto é ilusão que a atrai para uma armadilha. Uma pequena vontade de encontrar outro de sua espécie. Que não tente lhe arrancar uma lasca.
O medo de sair do esconderijo é maior. Tem o defeito de confiar mesmo quando sua intuição a manda fugir.
Lá fora, o vento garante que ninguém está interessado em procurá-la.
Não sabe se é possível cicatrizar rachaduras de um coração de pedra.
Fugir e se esconder até que seu criador se canse do castigo de uma aparência agradável aos olhos.

[mini-conto escrito num momento triste]
Publicado no DeviantArt

~~♥


É meio estranho ler algo que me remete a outro momento de minha vida, não digo que melhor ou pior, mas disse isto apenas porque consegui me emocionar e relembrar fatos do dia da publicação.

Nem todos os meus momentos tristes viraram texto compartilhado na internet. Sou da época de usar agendas ou diários, e escrever neles o que eu estivesse pensando/sentindo. Ainda uso esse esquema, porém agora num caderno "simples". Descobri por aí que este tipo de caderno é chamado de Commonplace Book. ~ui, que nome chic kkkk

Mas a ideia é concentrar suas ideias em um único local. Eu anoto ideias da madrugada, trechos de musica, faço cartas para quem me magoa que nunca terei coragem de enviar, listas de coisas sem importância para outras pessoas. 

Para mim, é terapêutico. Tenho certeza de que ninguém não autorizado lerá o conteúdo dele. Escrevo sem reler, sem corrigir, sem medo de chorar para ser feliz. 

Agora quero saber sua opinião sobre meu humilde conto.  ♥

E também: o que você faz para liberar a emoção? Qual sua tática para manter a sanidade nestes tempos doidos? Como você lida com seus pensamentos não tão legais?


~~kissus

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